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27 agosto 2011

CRISMA


Crisma
"O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração" (Lc 4,18)

A Crisma é o Sacramento de iniciação cristã, que fecunda o batismo e vincula-nos mais estreitamente à igreja, fortalece-nos para a vida comunitária, por força dos dons do Espírito Santo. É também chamada de confirmação do Batismo, porque no Batismo quem diz SIM são os padrinhos, mas na Crisma quem diz SIM são os Crismandos.
A palavra Crisma tem sua origem do grego "chrisma" que indica o óleo que unge. A unção é o gesto ritual pelo qual é realizado o sacramento que dá o Espírito Santo. No Batismo, recebemos o Espírito Santo como vida divina, que Deus Pai comunica a fim de libertar-nos do pecado e introduzir-nos em sua comunhão. Na Crisma o Espírito Santo nos enriquece com a plenitude de seus dons. O Espírito Santo foi dado  como força aos apóstolos a fim de que estes fossem fortes com a força do próprio Deus e, assim, tivessem a capacidade e a coragem de anunciar o Evangelho plenamente.
Os atos dos apóstolos provam que o seu rito exterior consiste na imposição das mãos, diferente do batismo que utiliza a água. Os apóstolos Pedro e João, enviados a Samaria, "punham as mãos sobre os que tinham sido batizados", e recebiam estes o Espírito Santo (At 8, 14-17). Do mesmo modo, S. Paulo, vindo a Éfeso, batizou, em nome de Jesus Cristo, discípulos de João Batista e a "eles impôs as mãos, para que o Espírito Santo baixasse sobre eles" (At 19, 1-6).
Para que S. Paulo imporia as mãos sobre quem já era batizado se a Crisma não fosse um sacramento que confirmasse o Batismo, completando os dons do Espírito Santo? Segundo estes textos, compreende-se claramente que Pedro e João de um lado, e Paulo de outro, deram o Espírito Santo, pela imposição das mãos. Ora, uma tal prática seria ridícula, se eles o fizessem fora da vontade e das prescrições do Mestre. A Crisma é, pois, um sacramento instituído por Nosso Senhor.
A primeira Crisma ocorreu com os apóstolos, após a ascensão de Jesus ao céu, os apóstolos voltaram para Jerusalém. Estavam com medo dos poderosos que mataram a Jesus. Por isso, fecharam-se numa casa chamada Cenáculo e permaneceram em oração, junto com Maria. Era o dia da Festa de Pentecostes, ou seja, 50 dias após a Páscoa. Após muita oração, soprou um Vento Impetuoso e o Espírito Santo desceu sobre eles em forma de "Línguas de Fogo" e todos ficaram repletos do Espírito Santo. Após isso ter acontecido eles se encheram de força para anunciar o Evangelho, continuando a missão de Jesus.pentecostes
O Espírito Santo confirma na fé; impulsiona a sermos testemunhas, diante do mundo, do amor de Deus aos homens; faz-nos defensores da paz, da justiça e da fraternidade entre todos os homens. Quando somos batizados recebemos os Dons do Espírito Santo, é na Crisma que o nosso Dom é revelado.
Quem celebra o Sacramento da Crisma é o bispo, ou o padre (por delegação, em caso de impossibilidade da presença do bispo). No momento da unção o bispo unge a fronte do catecúmeno com o santo crisma (óleo), marcando-o assim com o sinal do Espírito Santo, afim de que se conheça a quem pertence (II Cor 1,21-22), e diz: "Recebe por este sinal o Dom do Espírito Santo, a paz esteja contigo", e dá uma pequena tapinha no rosto do, então, Crismado, em sinal de despertar para evangelizar, "proclamar a Boa Nova, dar vida nova e fazer-nos testemunhas da Palavra do Senhor" (I Jo 2,27).
Se no Batismo já recebemos o Espírito Santo, para que receber a Crisma?
É sempre importante ter presente a unidade entre os sacramentos da iniciação cristã. Cada um deles é autônomo, mas todos estão intimamente interligados.
No Batismo, a pessoa é mergulhada na vida de Deus Trino e na comunidade cristã. A crisma é o recebimento do Espírito Santo, que confirma o cristão para assumir pessoalmente o compromisso de fé.
No século XVI, alguns cristãos negaram que a crisma fosse verdadeiro sacramento. Achavam-na inútil, por que nada acrescentaria ao cristão. Porém, a Igreja Católica sempre considerou a crisma como verdadeiro sacramento.
De fato, o batismo já nos dá o Espírito Santo, e nele nos tornamos templos de Deus. Mas a confirmação ou crisma dá o Espírito em vista da missão da Igreja para evangelizar na sociedade. Ao receber a crisma, o cristão é chamado a “vestir a camisa do time” de Jesus. O Espírito Santo, Dom de Deus, ofertado pela imposição das mãos do bispo, nos envia “para fora”. O Espírito Santo é dado para a comunhão e para a missão.
No Batismo, o Espírito nos concede a graça de morrer com Cristo para o pecado, ressuscitando com Ele para uma nova vida em comunhão com Deus e os irmãos. Na Crisma, pelo Espírito recebemos a graça de ser missionários, de ir ao encontro do mundo para transformá-lo.
Na crisma, o Dom do Espírito não é tanto para a salvação individual, mas para colaborar na salvação de todos pelo anúncio do evangelho. Por isso, é sempre bom refletir: o Dom do Espírito nos tem feito ir ao encontro dos outros, dos “de fora”, ou o empregamos somente a serviço de nossos próprios interesses?
Qual é a relação entre Crisma e Batismo?
Muitas pessoas não se lembram do dia em que foram crismadas porque receberam o sacramento quando pequenas, no mesmo dia em que foram batizadas.
A realização dos dois sacramentos na mesma celebração mostrava melhor a unidade dos sacramentos da iniciação cristã. A crisma podia ser vista como confirmação daquilo que se iniciava no batismo: uma vida nova em Cristo. Com o passar do tempo, os dois sacramentos ganharam celebrações independentes.
Vamos ler At 8,14-17: “Os apóstolos que estavam em Jerusalém souberam que a Samaria acolhera a palavra de Deus e enviaram para lá Pedro e João. Chegando ali, oraram pelos habitantes da Samaria, para que recebessem o Espírito Santo. Pois ainda o Espírito não viera sobre nenhum deles; só tinham recebido o batismo no nome do Senhor Jesus. Pedro e João impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo”.
Vemos aí que o Dom do Espírito Santo, dado pela imposição das mãos, segue o batismo. Assim, no início da Igreja e ainda hoje, no caso de adultos, os sacramentos da iniciação são realizados juntos, particularmente na Vigília Pascal.
A crisma já foi chamada de “acabamento” do batismo, pois ela confirma a pessoa com o Dom do Espírito Santo, na missão batismal de ser testemunha de Cristo.
Um dos grandes desafios da catequese de crisma é despertar a consciência da ligação entre o batismo e a confirmação. A vida de comunhão com Deus e com os irmãos na Igreja (batismo) deve ser confirmada, assumida e testemunhada pelo cristão, que não caminha sozinho, mas guiado pelo Espírito Santo, o Dom de Deus (crisma)