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12 março 2012

Leitura Orante da Bíblia

Preparação: ajoelhar-se em silêncio e adoração.

1. A Leitura: estudo aplicado das Escrituras feito por um espírito atento. 

“Senhor Jesus, tu, o Filho de Deus vivo, ensina-me a escutar o que me dizes na Escritura Santa, e nela descobrir o teu rosto”.

Ler atentamente e a meia voz o texto escolhido.

2. A Meditação: atenção estudiosa da inteligência que busca uma verdade oculta. 

“Senhor Jesus, tu, Filho do Deus vivo, ó palavra viva, ensina-me a me alimentar e a assimilar o teu evangelho, a fim de que eu me transforme e faça o meu espírito ficar em inteira conformidade com o que és e com o que queres”.

- Sentar-se e retomar a leitura em voz baixa;

- Repetir uma palavra, uma frase que chama a atenção;

- Relacionar essa passagem com outra (do AT ou do NT);

- Escrever uma frase privilegiada e deixa à vista; ela será a pedra preciosa do dia.

3. A Oração: religiosa aplicação do coração a Deus para expressar nosso amor e confiança. 

“Senhor Jesus, Filho de Deus vivo, ensina meu coração a falar ao Pai, com quem conversas continuamente na unidade do Espírito Santo; trespassa meu coração com o Amor que o une ao Pai e sê tu mesmo em mim, contínua oração.”

10 setembro 2011

Bíblia, enciclopédia do cristão


“Por conta dos recursos que a internet oferece à pessoa estudiosa, as enciclopédias estão pouco manuseadas. Há uma, porém, que não perde o seu valor como fonte de verdadeira sabedoria para o cristão: a Bíblia!.
  Nela ele encontra magníficos ensinamentos não so para a sua cultura religiosa, mas também como caminho para uma autêntica pratica cristã. A Bíblia é a cartilha, a gramática, a enciclopédia que corretamente norteia o ser humano, nas suas múltiplas dimensões.Não importa que tenha surgido num passado tão distante e tenha sido escrita por gente que viveu em contextos tão diferentes do nosso.  O que a faz atual é a sua Palavra eterna, por isso sempre moderna e capaz de enriquecer homens e mulheres, crianças, adultos e idosos. A Bíblia é educativa ontem, hoje e sempre. Entretanto, apesar de ser uma luz para pessoas de perfis tão variados, a leitura bíblica tem suas exigências e não consegue ser fecunda se faltam alguns requisitos. Antes de tudo, ela precisa ser contextualizada, isto é, há a necessidade de situar o fato no ambiente em que aconteceu – observadas as circunstâncias que muito condicionam a experiência humana.  Preferentemente tal leitura deve ser feita em comunidade, porque , “se dois ou três se reúnem em meu nome, estarei no meio deles”. Enfim, não basta a simples interpretação do texto.  È necessário posterior aprofundamento e questionamentos que motivem uma adesão vivencial promovendo uma conversão em nível existencial. Se não há mudança de vida, a Palavra caiu em terreno ingrato. Valeu como uma fina camada de verniz que perderá o brilho em curto prazo. Com o mês da Bíblia, a Igreja nos dá a oportunidade de recarregar as baterias para uma intensa ação evangelizadora em nossa sociedade surda à palavra de Deus e cega aos perigos que a ameaçam.”                                

05 setembro 2011

Temas do mês da Bíblia de 1971 à 2011


A proposta do mês da Bíblia, para este ano, é o estudo e aprofundamento dos seguintes capítulos do livro do Êxodo: 15,22–18,27. O tema é: Travessia: passo-a-passo o caminho se faz. E o lema: Aproximai-vos da presença do Senhor – Ex 16,9). Tal proposta tem o objetivo de fazer uma ligação entre estes capítulos e o estudo da iniciação cristã, por isso, iremos relacioná-los com passagens que abordam o mesmo tema no Novo Testamento.
Este livro apresenta subsídios para estudo, reflexão, oração e prática para o mês da Bíblia de 2011. Não pretende dizer tudo, mas apontar pistas para o trabalho individual e comunitário. Foi pensado como material de apoio, isto é, traz elementos informativos a serem desenvolvidos posteriormente e indica também roteiros práticos, que podem orientar grupos de refl exão e leitura orante sobre o assunto. O tema do mês da Bíblia de 2011 é “Travessia: passo a passo, o caminho se faz”. Essa travessia segue o roteiro apresentado em Ex 15,22-18,27.
A escolha se justifica, pois o êxodo e a caminhada são realidades vividas no dia a dia do povo de Deus. Também nós estamos em contínuo movimento de vencer etapas e realizar projetos. “Não temos aqui cidade permanente, mas estamos à procura da que está para vir” (Hb 13,14). 
Todos os anos o Serviço de Animação Bíblica – Paulinas (SAB) e a Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB), por ocasião do Mês da Bíblia, propõe um tema para ser estudado pelas comunidades.
01) 1971 Bíblia, Jesus Cristo está aqui
02) 1972 Deus acredita em você
03) 1973 Deus continua acreditando em você
04) 1974 Bíblia, muito mais nova do que você pensa
05) 1975 Bíblia, palavra nossa de cada dia
06) 1976 Bíblia, Deus caminhando com a gente
07) 1977 Com a Bíblia em nosso lar, nossa vida vai mudar
08) 1978 Como encontrar justiça e paz? O livro de Amós
09) 1979 Bíblia, o livro da criação - Gn 1-11
10) 1980 Buscamos uma nova terra - História de José do Egito
11) 1981 Que todos tenham vida! - Carta aberta de Tiago
12) 1982 Que sabedoria é esta? - As Parábolas
13) 1983 Esperança de um povo que luta - O apocalipse de São João
14) 1984 O caminho pela Palavra - Os atos dos Apóstolos
15) 1985 Rute, uma história da Bíblia - Livro de Rute
16) 1986 Bíblia, livro da Aliança - Êxodo 19-24
17) 1987 Homem de Deus, homem do povo - profeta Elias
18) 1988 Salmos, a oração do povo que luta - O livro dos Salmos
19) 1989 Jesus: palavra e pão - Evangelho de João, cap 6
20) 1990 Mulheres celebrando a libertação
21) 1991 Paulo, trabalhador e evangelizador - Vida e viagens de Paulo
22) 1992 Jeremias, profeta desde jovem - Livro de Jeremias
23) 1993 A força do povo peregrino sem lar, sem terra - 1ª Carta de Pedro
24) 1994 Cântico: uma poesia de amor – Cântico dos Cânticos
25) 1995 Com Jesus na contramão - o Evangelho de Marcos
26) 1996 Jó, o povo sofredor - Livro de Jó
27) 1997 Curso Bíblico Popular - Evangelho de Marcos
28) 1998 Curso Bíblico Popular - Evangelho de Lucas
29) 1999 Curso Bíblico Popular - Evangelho de Mateus
30) 2000 Curso Bíblico Evangelho segundo João: luz para as Comunidades
31) 2001 Curso Bíblico Atos dos Apóstolos, capítulos de 1 a 15
32) 2002 Curso Bíblico Atos dos Apóstolos, capítulos 16 a 28
33) 2003 Curso Bíblico Popular - Cartas de Pedro
34) 2004 Curso Bíblico Popular - Oséias e Mateus
35) 2005 Curso Bíblico Popular - Uma releitura do II e III Isaías
36) 2006 Come teu pão com alegria - Eclesiastes
37) 2007 Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom - Gênesis
38) 2008 A Caridade sustenta a Comunidade - Primeira Carta aos Coríntios
39) 2009 A alegria de servir no amor e na gratuidade - Carta aos Filipenses
40) 2010 Levanta-te e vai à grande cidade - Introdução ao estudo do profeta Jonas
41) 2011 Travessia: passo a passo, o caminho se faz (Ex 15,22-18,27) com o lema “Aproximai-vos do Senhor” (Ex 16,9)
Louvamos e agradecemos a Deus por estes 40 anos de compreensão, vivência e anúncio da Palavra de Deus. Deixemo-nos guiar pelo Espírito Santo para podermos cada vez mais amá-La (cf. Verbum Domini, 5).

04 setembro 2011

Mais um pouco sobre a Bíblia


- “Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor e medita sua lei dia e noite” 

Para nós da Igreja do Brasil, desde de 1971, setembro torno-se o MÊS DA BÍBLIA e, já desde 1947, o último domingo do mesmo mês é comemorado como DIA DA BÍBLIA. Talvez nem fazemos idéia, mas a Bíblia é o livro mais vendido, distribuído e impresso em toda a História da humanidade. Só no século XX foram impressos mais de um bilhão e meio de exemplares, em mais de mil e seiscentos idiomas diferentes, tornando-se o maior “best-seller” de todos os tempos.

 Nunca a palavra de Deus foi tão meditada, lida e comentada como em nossos dias. Mas qual é a origem da Bíblia? Para que serve? Como deve ser lida? Como rezar com a Bíblia? São perguntas que procurarei responder nesse artigo, sem a pretensão de esgotar o assunto, mas com a esperança de leva-los a amá-la como fonte de vida. QUAL É ORIGEM DA BÍBLIA? Ela é a história de um povo com o seu Deus; não de qualquer povo, mas do povo de Deus, escolhido por Ele, para ser exemplo para todos os povos. Ela nasceu no meio do povo hebreu, no tempo de Abraão, na terra de Canaã, que em seguida chamou-se terra de Israel e bem mais tarde Palestina. A palavra Bíblia provém do grego biblos e significa livros, o que bem demonstra não ser a Bíblia um único livro. Assim, quando usamos hoje a palavra "Bíblia" nos referimos a um conjunto de livros. Nela estão agrupados 73 livros, é uma verdadeira mini-biblioteca que destaca o a aliança e plano de salvação de Deus para com a humanidade. E justamente por não ser um livro, mas um conjunto de livros, a bíblia levou bem mais de mil anos para ser escrita e tomar a forma de hoje, podemos identificar em sua gestação, que ela passou por 3 fases: - Os acontecimentos: antes de se tornar um livro, a Bíblia foi uma realidade vivida e experimentada pelo homem. A essência da Sagrada Escritura não está nas palavras que ela traz, mas nos acontecimentos, nos fatos concretos e acontecimentos salvíficos - Tradição Oral: logo depois dos Acontecimentos, entra em cena a Tradição Oral. Eles eram contados pelos pais e mães aos filhos, de geração em geração. Esse período durou cerca de 900 anos.
 Desta forma, o povo mantinha forte em sua lembrança as fortes experiências vividas com Deus. “Lembra-te dos dias antigos, considera os anos das gerações passadas. Interroga teu pai e ele te contará; teus anciãos e eles te dirão” (Deuteronômio 32, 7). “Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa” (2Tessalonicensess 2, 15); - Tradição Escrita: quando possível, devido às condições políticas, sociais e culturais da época, algumas pessoas começaram a colocar por escrito as ricas e vastas experiências do povo eleito de Deus. Graças a homens inspirados pelo Espírito de Santo, também chamados de hagiógrafos, a Bíblia começou a ser escrita. Vemos, assim, que a Bíblia, ou melhor, os livros que a compõem foram escritos por homens, mas inspirados por Deus, de forma a prevenir erros. O homem foi o instrumento de Deus e foi movido e dirigido por Ele. 
No entanto, cabe aqui uma importante observação: o fato de Deus ter inspirado homens a escreverem os livros que compõem a bíblia, não significa que tenha anulado a inteligência e a liberdade deles, veja o que nos diz o Magistério da Igreja a respeito disso: “Na redação dos livros sagrados, Deus escolheu homens, dos quais se serviu fazendo-os usar suas próprias faculdades e capacidades a fim de que, agindo Ele próprio neles e por eles, escrevessem, como verdadeiros autores, tudo e só aquilo que Ele próprio quisesse” (Dei Verbum, 11). PARA QUE SERVE A BÍBLIA? Na Bíblia é o próprio Deus que se revela a nós através de sua Palavra. Por isso devemos “acolher a palavra de Deus, não como palavra humana, mas como mensagem de Deus, o que ela é em verdade” . Ela é “viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4, 12). Além disso “toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra” (2Timóteo 3, 16) Ela serve para que as pessoas creiam em Cristo (João 20, 30 – 31), para ajudar os cristãos a caminharem (Salmo 118(119), 105), para nossa instrução (1Coríntios 10, 11) e para ajudar-nos a instruir, refutar, corrigir e educar na justiça (2Timóteo 3, 16). São Jerônimo (+ 420) dizia: “Desconhecer as Sagradas Escrituras é ignorar o próprio Jesus Cristo”. Santa Teresinha do Menino Jesus, falando do Evangelho, escreveu: “Acima de tudo, o que me sustenta durante a oração é o evangelho.
 Nele encontro tudo o que necessita minha pobre alma. Nele continuamente descubro novas luzes e sentidos ocultos e misteriosos” (Ms A 83v). No entanto, não basta conhecer a Bíblia, é preciso coloca-la em prática de maneira fiel e criativa (Tiago 1, 22). A Bíblia precisa tornar-se fonte da nossa força, luz de nossa caminhada e objetivo de nosso trabalho. COMO DEVE SER LIDA? A Bíblia é a Palavra Viva de Deus. Precisamos ter a consciência de que “toda Escritura é inspirada por Deus” (2Timoteo 3, 16), “que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal” (2Pedro 1, 20) e também de que “nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (2Pedro 3, 16b). No Concílio Ecumênico Vaticano II lemos que: “...para bem captar o sentido dos textos sagrados, deve-se atender com não menor diligência ao conteúdo e à unidade de toda a Escritura, levada em conta a Tradição viva da Igreja toda e a analogia da fé” (Dei Verbum 12). Com isso vemos que não devemos ler a bíblia como se estivéssemos lendo um livro qualquer, mas sua leitura exige respeito, humildade e prudência. Por isso é muito importante buscarmos participar de Círculo bíblico, cursos de bíblia, etc, que facilmente podemos encontrar em nossas comunidades, paróquias e dioceses. COMO REZAR COM A BÍBLIA? Frei Patrício Sciadini, OCD, aponta 3 atitudes fundamentais que precisamos ter dentro de nós quando nos aproximamos da Sagrada Escritura: “ela deve ser lida: lenta, atenta e amorosamente”. 
Ele explica cada uma delas: 1. Lentamente: não somos acostumados a ler lentamente. Hoje temos quase uma “voracidade compulsiva” em ler muito. Há, poderíamos dizer, um “engordamento artificial” de idéias que não conseguimos digerir. É muito importante na oração evitar essa fome de palavra, ter mais cuidado na escolha do que lemos e ler mais lentamente, quase saboreando palavra por palavra, repartindo as palavras como se fossem uma fruta que queremos saborear e não apenas engolir; 2. Atentamente: prestar atenção ao que se diz ou se lê. Para Santa Teresa, este é o segredo da verdadeira meditação. É preciso, diz ela, saber o que diz e para quem diz, para que seja verdadeira oração. A mesma pedagogia devemos usar quando queremos compreender o que estamos lendo para poder penetrar no seu sentido. Três perguntas podem ser úteis aqui: "O que diz a Palavra? Para quem é dirigida? O que diz para mim hoje?". Essa releitura da Palavra é fundamental para, diante dela, não nos portar como espectadores ou visitantes de um museu, mas atualizá-la para a nossa vida. 3. Amorosamente: ler com amor, como se a Palavra ou texto fosse dirigido tão somente a nós. Essa personalização da Palavra é fundamental para que possamos ser “tocados” pelo espírito do autor que, quando escreveu, tinha uma finalidade: sermos gerados pela Palavra ouvida e meditada. Quando lemos algo com amor, isso produz mais fruto dentro de nós. Alguns passos simples para ler e meditar um texto bíblico poderiam ser os 4 passos da Lectio Divina. Busque um lugar tranqüilo, onde você possa criar um ambiente calmo e recolhido, com silêncio ou música de fundo, como for melhor, assim feito siga: 1. Leitura: Nesse passo você deve ler, reler, confrontar passagens paralelas; interpretar símbolos, ver personagens; quem fala, como fala, a quem fala, quando fala, onde fala, como agem e reagem as personagens. Nesse passo você deve procurar responder: Que diz o texto? 2. Meditação: Que valores profundos me evoca o texto? Que sinto ou experimento, como reajo ao ler este texto? Com que relaciono o texto? Existem duas fases, na meditação, a primeira de recolher, juntar, reservar sem preguiça; a segunda de ruminar, digerir tudo o que se recolhe; deixar que as palavras se liguem entre si; criar clima, atenção, calor; preocupar-se para que nada te roube a Palavra... Discernir, confrontar e deixar que as palavras que recolheste, guardaste e observaste, se clarifiquem umas às outras. Feito isto, a Palavra faz o resto. Nesse passo você deve procurar responder: Que me diz o Senhor neste texto? 3. Oração: Em silêncio, pela palavra, pelo canto, pelo gesto, que digo ao Senhor? Que palavras, canto, silêncio ou gesto me provoca a Palavra que acabei de ler e meditar? Para esse passo busco responder: Que digo eu ao Senhor que me fala neste texto? 4. Contemplação: Agora é o momento de observar os efeitos dessa palavra sobre você, sobre a sua vida. Responda aqui: Que sinto em mim? Que experiência me é dada viver agora? Você pode estar se perguntando: mas por onde devo começar a leitura? que livro ler primeiro? devo ler o Antigo ou o Novo Testamento? Bem, há muitos livros católicos com sugestões de leituras, mas uma opção bem eficaz e tradicional é a Liturgia Diária, ela traz as leituras que em cada dia a Igreja medita na Liturgia Eucarística. E AGORA? Eis uma regra de ouro que aprendi: Ler a Bíblia todos os dias. “Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor e medita sua lei dia e noite” (Salmo 1, 2). Ler todos os dias sem exceção. 
Ler quando estiver com vontade, quando sentir falta, mas também quando não estiver com vontade nenhuma. Assim como você alimenta o corpo todos os dias, deve também alimentar diariamente o seu espírito com a Palavra de Deus.Então, o que é que você está esperando? Inclua a leitura da Bíblia no seu dia-a-dia, reze com ela e descubra as maravilhas que Deus deseja lhe contar. 

01 setembro 2011

Setembro mês da Bíblia


“Tua Palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho!”


Setembro é o mês da Bíblia. Este mês foi escolhido pela Igreja porque no dia 30 de setembro é dia de São Jerônimo (ele nasceu no ano de 340 e faleceu em 420 dC). São Jerônimo foi um grande biblista e foi ele quem traduziu a Bíblia dos originais (hebraico e grego) para o latim, que naquela época era a língua falada no mundo e usada na liturgia da Igreja.
A Bíblia é hoje o único livro que está traduzido em praticamente todas as línguas do mundo e que está em quase todas as casas. Serve de “alimento espiritual” para a Igreja e para as pessoas e ajuda o povo de Deus na sua caminhada em busca de construir um mundo melhor.
“Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para argumentar, para corrigir, para educar conforme a justiça ” (2Tm 3,16). A Bíblia foi escrita por pessoas chamadas e escolhidas por Deus e que foram inspiradas através do Espírito Santo. Ela revela o projeto de Deus para o mundo; serve para que todos possamos crescer na fé e levar uma vida de acordo com o projeto de Deus. Por isso, ela é a grande “Carta de Amor” de Deus à Humanidade.
A Palavra de Deus nos revela o rosto de Deus e seu mistério. Ela é a história do Deus que caminhou com seu povo e do povo que caminhou com seu Deus. A Bíblia tem uma longa história, desde nossos pais e mães da fé (Abraão e Sara, Isaac e Rebeca, Jacó Lia e Raquel) passando por Moisés, pelos Profetas, até a vinda do Messias, e por fim a morte do último dos Doze Apóstolos quando foi escrito o último livro da Bíblia (o Apocalipse, escrito no final do I século). A Palavra de Deus demorou em torno de dois mil anos para ser escrita. Muitas pessoas fizeram parte desta história: homens, mulheres, crianças, jovens, anciãos... Por isso, podemos dizer que a Bíblia é um livro feito em mutirão.
Passaram-se os tempos, os anos, mudaram muitas coisas, impérios cresceram e caíram, tantas idéias foram superadas, mas a Palavra de Deus continua “viva e eficaz” (Hb 4,12), pois “ela permanece para sempre” (1Pd 1,25). Embora o mundo busca outros caminhos, sempre existiram pessoas e comunidades que foram fiéis, que buscaram nas Palavras Sagradas a fonte para sua inspiração, para continuar vivendo e realizando o projeto de Deus.
Mais do que história, a Bíblia é portadora de uma mensagem. Ela é capaz de denunciar e anunciar. Ela denuncia as injustiças, os pecados, as situações desumanas, de pobreza, exploração e exclusão em que vivem tantos irmãos nossos. Foi isso que fizeram os Profetas e também Jesus Cristo em algumas ocasiões, pois toda situação de injustiça e pecado é contrária ao projeto de Deus. Mas a Bíblia é, sobretudo, um livro de anúncio. Ela proclama a boa notícia vinda de Deus: Ele nos ama e nos quer bem! Ele é o Deus que caminha conosco, que está ao nosso lado e nos dá força e coragem! Foi Deus que enviou ao mundo seu Filho Jesus Cristo. Ele veio nos trazer a Boa Notícia do Reino; veio nos trazer a Salvação, o perdão dos pecados. É através da fé em Jesus Cristo que nos tornamos filhos de Deus.
Na Bíblia encontramos textos para as diversas situações da vida. Ela ajuda a fortalecer a nossa fé; é útil na nossa formação, nos momentos de crises e dificuldades, na dor, na doença ou na alegria… Para todas as realidades encontramos textos apropriados.
Todos podemos e devemos ler, estudar e conhecer a Palavra de Deus. É certo que na Bíblia encontramos alguns textos difíceis. A Bíblia mesmo diz isso (veja 2Pd 3,16¸ At 8,30-31; Dn 9,2; etc). Certas passagens foram escritas dentro de uma realidade diferente da nossa. Precisam ser interpretadas e atualizadas. Por isso, quando não entendemos um texto, é melhor passar adiante, buscar outra passagem. O Pe. Zezinho nos ensina cantando: “Dai-me a palavra certa, na hora certa, do jeito certo e pra pessoa certa”. É recomendável fazer um curso, uma Escola Bíblica ou estudar em grupos. Tudo isso ajuda a entender melhor a Bíblia.
Na verdade, todo mês devia ser Mês da Bíblia; todo dia devia ser Dia da Bíblia. Por isso, a Bíblia não pode ser apenas um ornamento em nossa casa. A Palavra de Deus deve ser o nosso alimento de cada dia e buscar nela o sustento para a nossa vida.
Termino lembrando um texto bonito de São Paulo: “Tudo o que se escreveu no passado foi para o nosso ensinamento que foi escrito, afim de que, pela perseverança e consolação, que nos dão as Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15,4). Que neste mês da Bíblia, a Palavra que vem da boca de Deus nos anime, dê força e coragem e com isso sejamos cristãos da Esperança!

Alguns conselhos práticos para quem quer ler, conhecer e viver segundo a Bíblia:

  • 1) Pedir sempre ajuda ao Espírito Santo, isto é, iniciar sempre com uma oração;
  • 2) Começar pelos livros e textos mais fáceis, ou seja, os Evangelhos, Atos dos Apóstolos…;
  • 3) Ler e meditar um texto por dia (não é a quantidade que importa, mas a qualidade);
  • 4) Procurar descobrir o contexto em que o texto foi escrito, ou seja: por que e para quem o texto foi escrito;
  • 5) Anotar na sua Bíblia os textos que mais chamam a atenção;
  • 6) Quando encontrar textos difíceis, passar adiante, deixar estes textos para quando participar de um curso ou quando encontrar pessoas que podem ajudar a explicar;
  • 7) Atualizar o texto para hoje: colocá-lo em prática na vida. Celebrar e rezar a Bíblia e a vida. Viver a Palavra!

27 junho 2011

A catequese é:

Neste post vamos falar pra vocês oque é catequese.
Como anda a catequese em sua comunidade?
A catequese ela leva a motivação para buscar o conhecimento do mistério de cristo na sua profunda vivência de fraternidade, leva  a uma iniciação na experiência religiosa, na oração e na vida sacramental. A catequese leva a uma iniciação com o compromisso missionário da igreja, além disso leva o crescimento da igreja, a igreja de amanha depende da catequese de hoje, por isso a catequese deve preocupar-se continuamente não só em levar conhecimentos dos mistérios da fé, mas também em abrir os corações a conversão e a adesão a catequese leva logicamente a Jesus Cristo, O SALVADOR  que anunciamos, mas a catequese leva o homem herdeiro do reino de Deus, leva a igreja, povo de Deus, a catequese deve ser esse caminho por onde o catequizando deve passar.
A catequese leva em conta as condições da pessoa suas preocupações,sua esperanças, suas necessidades, a partir do homem a  catequese motiva-o para vivência de sua fé, uma fé integrada no dia-a-dia sua vida cristã. Então veja ai a responsabilidade da gente com a catequese os problemas sociais de hoje que as pessoas enfrentam,esse problemas exigem de nos uma nova forma de catequizar, por isso é preciso dedicar-se a educação da fé para criar responsabilidades nas ações, respeitando a dignidade, respeitando os direitos humanos, então está ai a beleza da catequese, esse caminho que o catequizando vai fazendo seja ele criança jovem ou adulto, na catequese de adulto por exemplo essa catequese deva acontecer nos grupos de reflexão, nas pastorais nos movimentos, ela acontece através dos cursos, por exemplo em um curso de preparação para o casamento, batismo, tudo isso é caminho de catequese a catequese passar por tudo que nos leva a JESUS CRISTO, catequese é nos levar a viver a bíblia e viver com intensidade na medida que nos vamos assumindo compromisso nos crescemos e ao mesmo tempo vamos nos envolvendo com a caminhada da catequese, por isso é preciso que a sua comunidade tenha uma catequese bem organizada uma catequese onde haja um trabalho que olhe toda a doutrina e toda a caminha que ensina a vivência de Jesu para nós!
Então é importante que o catequista procure se catequizar , ler alguma coisa sobre a catequese, vivenciar a palavra de Deus !
A CATEQUESE E INSTRUMENTO QUE NOS LEVA A AMAR IGREJA E A DEUS! 

18 abril 2011

RESSUSCITAR COM O RESSUCITADO!

A páscoa é o centro da fé cristã. Toda a ação de Deus tende para a comunicação plena de si aos seres humanos. Ao vive a páscoa, Jesus é plenamente o Emanuel, Deus conosco. Não somente pela encarnação, mas muito mais pela ressurreição, quando nos convida para nos aproximarmos de deus e participarmos de sua vida.


Em seu agir, Jesus se manifesta como aqueles que sempre contaram com a presença de Deus. Isso é manifestado pelo “bem” que a ação dele promovida, quebrando as forças “demoníacas” que destruíam a dignidade dos seres humanos.


No evangelho da ressurreição, Maria Madalena, Pedro e o discípulo amado, que testemunham sua experiência de fé. Nem o medo de madalena nem a atitude reticente de Pedro ajudarão na compreensão do mistério.


A atitude amorosa do discípulo amado lhe desperta a fé. Jesus não poderia estar entre os motos. Se em toda sua vida ele fez o bem comunicando vida aos sem vida, a morte não poderia derrotá-lo.


Jesus em toda sua vida terrena já viveu como ressuscitado. Quem, Por amor, se dá totalmente para que os outros vivam, já vive como ressuscitado. O olhar do discípulo amado superou a dramaticidade da cruz, compreendeu a força de ressurreição do amor e teve fé.

30 março 2011

O HOMEM DAS DORES E AS DORES DOS HOMENS


A quaresma continua e convida-nos a olhar mais para o homem das dores, que não poupou sofrimento a fim de resgatar para nós a filiação divina e refazer nossa aliança com o pai. Neste tempo, a igreja nos põe diante da cruz, propõe-nos penitência e oração, pedindo que nos associemos ao sacrifício de Jesus. Nos momentos cruéis da paixão, Jesus se sentiu só, abandonado por amigos que convocou como parceiros da redenção: Vocês não puderam vigiar sequer uma hora amigos? (Mt 26, 40) e até pelo Pai, na hora extrema da morte: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt 27, 46). Até hoje, ele necessita de pessoas que sejam solidários com sua dor, de cristãos agradecidos pelo amor infinito com que foram amados.
Mas como o cristão pode manifestar, com suas limitações, seu reconhecimento ao homem das dores? Assumindo as dores dos homens, tanto dos que apelam sua solidariedade como dos que se mantêm a distância, porque perderam a fé em Deus e a confiança no irmão. São muitos os carentes de afeto, teto e comida, de saúde, instrução e segurança, numa sociedade de muitas injustiças e perversa violência. Somente quando os que contemplaram a cruz de Jesus se tornam “Cireneus” para os irmãos é que se fecha o círculo da salvação. Não adianta comover-se nem chorar porque o homem das dores morreu se a humanidade sofredora não descer de suas cruzes ajudada pela doação, gratuidade e serviço dos que renovaram sua fé com a prática dos exercícios quaresmais e dos que aprenderam que o amor a Deus passa pelo amor ao irmão.

“AMÉM!”

Entenda o importante sentido desta palavra
Pequena, mas com um significado enorme! Falamos tanto a palavra “Amém” e, muitas vezes, nem pensamos porque ela é dita ao final das orações e, inclusive, do sinal da cruz.
O termo tem origem hebraica e é sinônimo de amparar, suportar, confiar, ser verdadeiro, seguro, eterno.
Portanto, toda vez que repetimos esta palavra estamos reafirmando o nosso compromisso com Deus, reafirmando que somos seus seguidores e obedientes à sua palavra.
Então, cientes do sentido forte desta palavra, é preciso refletir antes de pronunciá-la aos quatros cantos, por qualquer motivo. Isso não é correto, o “amém” não deve ser usado em vão, mas, sim, pensando nas orações e seus significados em nossas vidas.
Realmente acreditamos e cumprimos o compromisso que assumimos com Cristo quando dizemos “amém”?
A palavra aparece muitas vezes na bíblia. Veja uma delas: “amém! Seja essa a declaração do senhor deus do meu senhor Deus o meu senhor, o rei” (1 Reis 1:36). O que quer dizer que concordamos com o que ele nos diz.
Então, seguindo o exemplo de Maria que também usou a palavra amém ao final de sua conversa com o anjo Gabriel no momento da anunciação, diga “amém”, com fé e sempre pensando no seu real significado.

20 março 2011

O USO DA BÍBLIA NA CATEQUESE


COMO NÃO USAR
É comum recorrer à bíblia na catequese para encontrar os apreciados “exemplos catequéticos”, como instrumento moralizante, ou só defender a doutrina.
A bíblia não deve ser utilitarista, isto é, usada só para a transmissão em aulas, em palestras, manipulando os textos, como respostas mágicas. Não usar apenas citações de um t6exto ou referencias bíblicas.
Para alguns grupos a palavra de Deus é colocada como consolo e terapia pessoal, dentro de um misticismo vazio, sem compromissos. São feitas leituras isoladas, frases ou textos fora do contexto, só para tirar mensagens estilo “horóscopo” ou para tirar mensagens bonitas.
A leitura da bíblia não deve ser leitura de “doutor”, leitura intelectualizada.
COMO USAR
No uso da bíblia, situar os grandes momentos da história da salvação, relacionando-os com a vida. Tornar o texto atraente, vivo.
Deve ser usada como luz para encontrar a verdade; como alimento da fé; como chave para abrir o coração para acolher os apelos de Deus; como meio que ajuda a ligar a fé vida; como palavra que questiona exige mudança, resposta e conversão.
Ao refletir um texto bíblico em pequenos grupos, colocar o resultado da reflexão no plenário, através de: desenhos, dramatizações, símbolos diversos, paralelos com a própria realidade, porque a bíblia é concreta. Ela não deve ser sói expositiva.
Provocar a vivência profunda do projeto de Deus. Fazer chegar ao coração. Ver dinâmicas conforme a realidade e a faixa etária dos catequizandos ( jogos, canções, gincanas, pesquisas, reflexões...)
Imitar a própria pedagogia da bíblia, começando com a pessoas de Jesus Cristo, seu amor ao Pai e as esposas.
Como Jesus, que não explicava o texto bíblico, mas ajudava a penetrar o seu sentido, indo ao essencial do projeto do Pai, dar as coordenadas da leitura e acolher as sementes do Verbo que cada catequizando possui.
Provocar a interação FÉ-VIDA para levar os catequizandos À CONVERSÃO.
Celebrar a palavra de Deus em dimensão comunitária, celebrando a vida, enfatizando o compromisso com a transformação social.
Fazer sentir que a reflexão bíblica não pode ser neutra. Não usar bíblias resumidas, mas a bíblia completa ou uma boa síntese do plano da salvação. Ter cuidado com o uso de “ histórias sagradas” e “textos escolhidos” que direcionam a palavra de Deus.
Incentivar uma leitura gratuita, a “escuta” de Deus para o crescimento pessoal na linha da conversão, reflexão, leitura orante e contemplativa.
Ter sempre em mente a mensagem central da bíblia.
Levar os catequizandos ao compromisso de manifestar a palavra pelo anuncio e testemunho, sendo verdadeiros “ ministros da palavra”.
DESAFIOS AO USO DA BÍBLIA NA CATEQUESE
1.       A falta de objetivos, principalmente na catequese com as crianças e com os adolescentes.
2.       A falta de preparo bíblico de nossos catequistas. Muitas vezes desconhecem até as citações bíblicas.
3.        Há movimentos que detêm fundamentalista, isto é, ao “pé da letra”.
4.       Às vezes- é difícil acreditar que as pessoas simples, semi-analfabetas--, sabem ler a bíblia na sua experiência, comprometida coma vida.
5.       -Numerosos catequistas têm medo da bíblia, ou ao menos, não se sentem suficientemente AA vontade com ela, dizendo: “eu não leio a bíblia porque eu acho que ela é muito difícil, principalmente certos livros”. É comum essa idéia sobre o apocalipse e outros textos.
6.       Muitos de nós buscamos as “célebres respostas” referentes aos detalhes científicos, culturais, cronológicos e superficiais, como: “se Caim matou Abel, como é que apareceram os demais homens?”
7.       Para muitos catequistas é difícil uma leitura que parta da realidade. A situação da vida do povo é sempre o “chão” da leitura bíblica. Recorrer a bíblia para iluminar o nosso presente, procurando nela, uma situação semelhante a nossa.
8.       Procurar ver que o texto da bíblia deve ser aprofundado em três ângulos: a BÍBLIA, a RELAIDADE e a COMUNIDADE
a)      Levando em conta a situação do povo antigo, no tempo em que foi escrita, para iluminar a situação  de hoje;
b)      Lendo, refletindo e rezando a bíblia em grupos, porque ela é o livro da comunidade;
c)       Celebrando, na comunidade, a sua caminhada de lutas, de esperanças e de alegrias.

13 janeiro 2010

O uso da Bíblia na catequese

"Tua Palavra é lâmpada para os meus pés, Senhor. Luz para o meu caminho" (81119. 10s).

Costuma-se dizer que a Bíblia é o principal livro da catequese, a mais importante fonte do processo de evangelização. E isso é fácil de entender, pois sabemos que a Bíblia é para nós Palavra de Deus. Se na catequese o que se pretende é ajudar o catequizando a realizar o seu encontro com Deus, fica clara a importância da Palavra de Deus, por meio da qual se realiza esse encontro.

A catequese deve, portanto, ser centrada na Palavra de Deus. O catequizando deve aprender a escutar a Bíblia e deve ser incentivado a vivenciá-la. Por meio da Palavra, Deus se comunica conosco e nós nos comunicamos com Ele.

No entanto, o uso da Bíblia na catequese pode trazer algumas dificuldades. Por isso, damos algumas dicas.

1. QUANTO À LINGUAGEM BÍBLICA


As traduções da Bíblia, em geral, não empregam uma linguagem acessível a catequizandos e adolescentes. Às vezes, nem o adulto entende direito o vocabulário bíblico. E não só o vocabulário traz dificuldades, mas também certas noções históricas e certos costumes dos povos antigos, que entram como personagens das Escrituras, nem sempre serão facilmente compreensíveis.

Por outro lado, algumas versões da Bíblia para crianças deixam muito a desejar, pois desfiguram completamente certos textos. O desejável seria uma tradução que não desfigurasse tanto, mas apresentasse uma linguagem compreensível, de acordo com a idade dos catequizados.

Certos manuais adotam o costume de apresentar uma versão do texto bíblico numa linguagem apropriada à turma. Nesse caso é preferível
não ler o texto na Bíblia, mas no próprio manual. O importante, quando se fala do uso da Bíblia, não é estar com a Bíblia na mão, mas compreender sua mensagem. Certas expressões ou frases, que escapam totalmente do universo mental da criança, precisam ser, no mínimo, adaptadas e, às vezes, excluídas.

Quando se trabalha, no entanto, com adolescentes, jovens ou adultos, principalmente se eles já têm certa caminhada, é importante familiarizá-los com a Bíblia Sagrada. Nesse caso, o catequista incentivará a turma a adquirir a Bíblia – de preferência completa – e a levá-la para os encontros. E será preciso todo um cuidado para treinar o manuseio da Bíblia e para explicar aquilo que não se compreende à primeira vista. Nesse caso, depois de proclamar o texto, é preciso compreendê-lo, explicando seu vocabulário e seu sentido, para depois partilhá-lo e tirar dele conclusões.

Pensamos que qualquer texto bíblico pode ser traduzido de modo a ser compreendido por crianças de qualquer idade. Essa tradução, no entanto, deve ser feita por quem entende das Sagradas Escrituras. E por isso é favorável apresentar, no manual que serve de base para os encontros, uma versão de cada texto a ser usado, em linguagem acessível

2. QUANTO À SELEÇÃO DE TEXTOS

Apesar de a Bíblia ser um livro básico na catequese, o processo catequético não consiste num mero estudo dela. Do ponto de vista pedagógico, seria inconcebível na catequese – e ninguém pensa nisso – estudar a Bíblia do começo ao fim, seguindo seus esquemas históricos e canônicos.

A seleção de textos para cada encontro levará em consideração o conteúdo que se quer transmitir. A catequese é organizada a partir de certos conteúdos fundamentais no processo de evangelização. Primeiro, decidimos os conteúdos. Depois, procuramos a fundamentação bíblica. Os textos bíblicos servirão de base e suporte para a transmissão dos conteúdos.

Com isso, entendemos duas coisas:

1. Não se pode, na catequese, ler os livros bíblicos do começo ao fim, sem organizar os textos a partir dos conteúdos programados. Dizemos isso porque o catequista poderia ter a tentação de ir comentando textos bíblicos aleatoriamente, sem um programa de conteúdos. Não daria certo.

2. Não se pode também realizar aquele tipo de leitura bíblica, infelizmente comum em certos círculos de espiritualidade, em que se abre a Bíblia a esmo e se lê o primeiro texto que os olhos encontram, como se essa fosse a vontade de Deus para aquele momento. Isso é inconcebível não só na catequese, mas também fora dela. Fica parecendo uma tentativa de tirar sorte com a Bíblia, forçando Deus a revelar sua vontade na hora em que a gente quiser. É manipulação, como uma cartomante joga as cartas para descobrir a
“vontade dos astros”. Não é esse o caminho.

Os roteiros de catequese devem apresentar, como é costume, uma sugestão de texto bíblico que se encaixe dentro do assunto de cada encontro.


3. QUANTO À PROCLAMAÇÃO DOS TEXTOS

Um cuidado especial se deve ter ao proclamar um texto bíblico na catequese. Toda leitura deve ser bem-feita. Mas, se vamos ler um texto que traduz a Palavra de Deus diante do grupo, isso exige cuidados especiais.

Primeiro, é preciso preparar a turma para escutar a proclamação. É preciso criar um clima de silêncio e concentração. Se a turma estiver inquieta, nem adianta proclamar nada. Os ouvidos estarão ligados em outras coisas. Primeiro, faz-se silêncio. Depois, proclama-se o texto.

Outro cuidado importante é fazer, antes da proclamação, breve comentário a respeito do texto. O comentário desperta a curiosidade de quem vai ouvir e facilita a compreensão. É como se faz na liturgia: antes de proclamar o texto bíblico, um comentarista motiva a assembléia. Essa motivação faz com que o povo se ligue no que vai ser proclamado.

A postura também é importante. Talvez seja melhor o pessoal estar sentado. Mesmo que seja um texto do Evangelho, pode ser ouvido em pé. Mas catequese não é missa. Deve-se levar em conta que o encontro catequético costuma iniciar-se com todos em pé. Também a oração inicial costuma ser feita nesta posição. Então, quando chega a hora da Palavra, todos já querem se sentar. E essa é uma boa posição para se concentrar e ouvir atentamente.

Talvez o catequista, no entanto, ao ler, devesse ficar em pé diante de todos. Isso ajudaria até para que sua voz se tornasse mais fácil de ouvir. Seria um modo mais solene de proclamar o texto. E ainda produziria um efeito disciplinar melhor, já que, estando o catequista em posição de destaque diante da turma, os catequizandos são mais facilmente induzidos a respeitá-lo.

Por falar em voz, não se pode nunca esquecer que o texto bíblico deve ser proclamado com voz clara e boa dicção, respeitando a pontuação e caprichando na entonação. O tom da voz e a boa leitura são fundamentais para a compreensão do texto. Um texto lido, por exemplo, sem pontuação, torna-se incompreensível. Por isso, é preciso treinar a leitura com antecedência, compreendendo bem o sentido de cada frase.

A entonação da voz é outro ponto que exige cuidado. Entonação é o tom que a pessoa dá à voz, quando começa a ler. Durante a leitura, o tom de voz deveria mostrar naturalidade. A pessoa que está ouvindo deve ter a impressão de que o leitor está como que conversando. O segredo é a naturalidade. Normalmente, quando vamos ler, mudamos completamente a voz e começamos a “cantar” o texto, dando aqueles arrancos forçados na interrogação. Fica tão artificial! Não cante o texto. Proclame-o conversando. E use um volume de voz suficiente para que a leitura seja audível. Não é preciso gritar o texto. Mas também não se deve sussurrá-lo, como se fosse segredo.

É preciso lembrar ainda que há enorme diferença entre proclamar um texto e contar uma história. Na Pré-evangelização, como lidamos com crianças muito novas – 5 a 7 anos – os textos bíblicos vêm em forma de histórias. A história não é propriamente uma tradução do texto bíblico. Ela é mais uma adaptação do texto. Uma história não deve ser lida, deve ser contada, dramatizada. Principalmente, se estivermos lidando com crianças de 5 a 7 anos, como acontece na Pré-evangelização.

Contar histórias é uma arte. O catequista deve usar sua imaginação e sua criatividade, para encantar as crianças. Pode usar fantoches, máscaras, roupas especiais. Pode se movimentar de um canto para outro, atraindo sobre si os olhares da turma. Pode gesticular à vontade, usando mímicas e posturas: deve fazer tudo isso.

Pode arremedar os personagens, criando vozes diferentes para cada um. É uma verdadeira encenação. O critério será sempre a reação do grupo. Se mostra que está gostando, vá em frente. Se reage mal, mude de tática.

4. QUANTO AO COMENTÁRIO DOS TEXTO

O comentário dos textos, como é proposto nos encontros, é uma verdadeiro aprofundamento do tema, a partir dos textos proclamados. Não basta explicar e compreender o texto. É preciso compreender sua ligação com o tema do encontro. Essa ligação eqüivale à aplicação do texto à realidade da vida.

O texto bíblico não é um fim em si mesmo. Ele serve para iluminar a vida. Então, é preciso ficar claro em que sentido o texto a ilumina. Qual é a mensagem que ele traz?

De um único texto, costuma ser possível tirar várias mensagens. Como o catequista vai saber conduzir a reflexão sobre o texto sem fugir do assunto? É só ficar atento ao tema e ao objetivo de cada encontro. Há um risco enorme de se sair do assunto e conversar sobre um tanto de coisas, sem concluir nada. Se a curiosidade da turma puxa o assunto noutra direção, satisfaça, enquanto possível, essa curiosidade. Mas depois volte ao assunto principal para concluir a reflexão.

O texto bíblico não deve ser visto como uma camisa-de-força para limitar a reflexão. Ao contrário, ele é o ponto de partida para uma conversa de aprofundamento do tema.

É importante que o momento da reflexão seja momento de diálogo. O catequista não deve se sentir num púlpito fazendo sermão. Deve, sim, conversar com a turma e ajudá-la a debater o assunto. Mais importante que falar é deixar falar, induzindo todos a se expressarem. Quando só o catequista fala, ninguém garante que a turma tenha se ligado à reflexão. Mas quando o grupo fala, tem-se a certeza de que de algum modo houve interiorização.

O momento do comentário é privilegiado para perguntar, tirar dúvidas, esclarecer. Deve-se dar essa liberdade aos catequizandos, mas sem perder o controle do debate, prolongando-o em demasia. Às vezes, quando o tema desperta interesse, a turma parece querer passar o resto do dia em discussão. O catequista saberá dosar tudo isso para que o encontro não vá muito além do horário programado. O segredo é buscar a objetividade.

Quando o assunto exige, para sua compreensão, certa organização lógica, costumamos sugerir que se use algum recurso didático apropriado, que venha auxiliar a reflexão: cartazes, faixas, álbuns seriados. Esses recursos facilitam a organização das idéias e proporcionam uma síntese mais conveniente. Quando o assunto é mais intuitivo e depende mais da opinião pessoal, costumamos sugerir alguma forma de partilha. A partilha é importante porque ajuda cada um a emitir suas opiniões. Afinal, o catequizando precisa ser incentivado a elaborar o seu pensamento a partir dos conteúdos apresentados. A partilha é possível é útil em qualquer idade. Só vai diferir quanto ao seu conteúdo. Mesmo uma criança de cinco anos já sabe emitir opiniões sobre os temas propostos, desde que compreenda o assunto.

5. QUANTO AO PROCESSO DE COMUNICAÇÃO

Enfim, é importante frisar aqui o aspecto da comunicação que deve merecer atenção em todos os momentos do encontro, principalmente na hora do comentário.

Podemos falar novamente da comunicação horizontal e vertical que engloba todo o processo de reflexão da Palavra de Deus. A
comunicação horizontal vai do catequista ao catequizando e, deste, retorna ao catequista. A comunicação vertical vai de Deus ao catequizando e, deste, retorna a Deus, em forma de adesão íntima e pessoal. Vejamos melhor esses quatro aspectos. Se faltar um deles, o processo de evangelização ficará incompleto.

1º) O catequista precisa se comunicar com os catequizandos, saber uma linguagem que eles entendam, de um modo que apreciem. Há dois problemas possíveis aqui. O primeiro é quando nem o catequista entendeu direito o assunto e, por isso, não consegue comunicá-lo com clareza. Ninguém então entende nada. O segundo é quando o catequista assume certas atitudes que produzem antipatia na turma como o mau humor, a falta de graça, o moralismo, o autoritarismo, a dificuldade de ouvir o catequizando, o monopólio da verdade (que acontece quando o catequista se coloca como o dono da verdade, em ouvir a posição dos catequizandos) – tudo isso pode prejudicar a empatia, principalmente – mas não somente – quando se lida com crianças já mais amadurecidas ou a partir da adolescência.

2º) O catequista precisa também abrir um canal de comunicação com os catequizandos. Se acomunicação vai apenas do catequista ao catequizando, e não retorna, será deficiente. Às vezes, essa comunicação de retorno é mais difícil. O catequista precisa de certo jeito para escutar a turma, compreendendo sua realidade, suas idéias, suas opiniões, seu mundo. Comunicação sem retorno é sempre incompleta. É como quando se envia uma carta que fica sem resposta. É pela resposta dos catequizandos que se perceberá com que profundidade acolheram e assimilaram o assunto, transformando-o em expressões próprias de seu conhecimento. O catequizando não precisa sair da catequese repetindo tudo o que o catequista afirmou. O que se espera é que o catequizando seja confrontado com toda a mensagem proposta e possa se posicionar diante dela, elaborando seu conhecimento. Nesse sentido, o catequista não se desespere se a turma questionar e protestar, parecendo não concordar com certos temas. Talvez haja maior assimilação ao protestar que ao se calar. Esse raciocínio, no entanto, não dispersa o catequista de usar todo o seu poder de convencimento, para gerar na turma uma adesão aos valores propostos.

3º) O catequista precisa estabelecer a comunicação de Deus com os catequizandos. A Palavra que se ouviu é Palavra de Deus. Com as devidas proporções, é Deus falando. A turma precisa ouvir a Palavra como coisa de Deus. Deus quer nos comunicar algo. Estamos, entretanto, diante de afirmações delicadas e perigosas, pois certos conceitos como Palavra de Deus, voz de Deus, vontade de Deus nem sempre são muito claros. É preciso ter cuidado para não colocar nossa vontade como sendo vontade de Deus. Nem mesmo podemos colocar a vontade da Igreja como desejo último de Deus. São três coisas distintas. Ao emitir sua opinião, o catequista deve deixar claro que se trata de sua opinião. Ao comentar a doutrina da Igreja, precisa deixar claro que é o pensamento da Igreja, , sempre voltado, é claro, para a busca do bem de toda a humanidade. A vontade de Deus, no entanto, será sempre um mistério. Cada pessoa a ouvirá diretamente em seu coração, em sua consciência. O catequizando aprenderá a concluir o que Deus lhe mostra, a partir de tudo, quando se reflete num encontro. Mas a comunicação de Deus ao catequizando acontecerá sempre no íntimo de cada um. Por isso, é bom evitar expressões ambíguas, tais como: “Deus me disse isso”, “Deus está dizendo aquilo”, “Deus me revelou tal coisa”. A não ser em frases genéricas e óbvias, como: “Deus quer o bem de todos”.

4º) O catequista precisa ainda incentivar a comunicação dos catequizandos com Deus. Trata-se de dar uma resposta, um retorno àquela iluminação divina que tiver sido captada a partir da reflexão sobre a Palavra. Mais uma vez, é preciso frisar que também essa resposta acontecerá no íntimo de cada um e dependerá de quanta luz o catequizando absorveu pela reflexão e por todo o encontro. Essa resposta é que produzirá depois a tão propalada mudança de vida. Mas não muito como induzir mudança de vida. O que o catequista pode e deve fazer é iluminar ao máximo o coração do catequizando, com a luz da reflexão, proporcionando assim a mais clara adesão que ele for capaz. Mas essa capacidade será sempre muito pessoal e dependerá de muitos outros fatores que escapam ao controle do catequista. A melhor resposta à Palavra de Deus é a simpatia e o amor do catequizando com Deus eqüivale a regar esse amor e essa simpatia, criando condições favoráveis para que floresça no coração de cada catequizando uma atração forte por Deus.

12 janeiro 2010

Bíblia: Fonte da Catequese


É impossível compreender exatamente o que seja a catequese, sem compreender profundamente a Palavra de Deus. O Diretório Nacional de Catequese nos diz: "É preciso que a catequese seja alimentada e dirigida pela Sagrada Escritura. É tão grande a força e virtude da Palavra de Deus que fornece à Igreja a solidez da fé, o alimento da alma, fonte pura e perene da vida espiritual. A própria Escritura testemunha: A "Palavra de Deus é viva e eficaz" ( Hb 4,11). A Bíblia é, pois o primeiro livro de catequese...

1° - POR SUA ORIGEM E NATUREZA


Antes da Bíblia ser escrita, Israel encontrou-se com seu Deus e alimentou sua vida de fé numa longa (experiência comunitária de luta pela sua sobrevivência e dignidade. Nesta experiência vai despontando o jeito catequético de Deus através do qual Israel foi aprendendo:
* a ver Deus no centro de sua história e da vida de cada um;
* a não tomar absoluto o que é relativo, seja pessoa, instituição, normas. Foi aprendendo a adorar só a Deus:
* Israel foi aprendendo a desinstalar-se, a fazer caminho:
* Colocar-se numa atitude de constante conversão, apesar das inúmeras caídas.
Através desta longa experiência podemos comparar a Bíblia com uma máquina de costura que vai costurando a aliança de Deus com o povo e do povo com Deus. O carretel de linha é o mistério do amor de Deus que vai penetrando os orifícios de nossa vida. A canelinha somos nós que devemos corresponder à penetração da agulha de Deus em nossa vida. O importante é firmar o ponto e não afrouxar a costura senão vamos franzir a nossa vida cristã. Através de nossa liberdade podemos cortar a linha e quebrar a aliança com Deus... A catequese é a constante costura que fazemos com Deus. Não se faz roupa apenas em alguns momentos da vida. Daí a importância da catequese e de sua formação permanentes.
Depois de muito tempo, por inspiração de Deus, Israel vai pondo por escrito aspectos marcantes desta experiência vivida à luz da fé. A vivência suscita os escritos. Na catequese de Deus os fatos precedem as escritas. E a grande pedagogia da Bíblia. Os escritos que vão surgindo mantêm viva e aprofundam a fé através de releituras posteriores provocadas pelos fatos novos.
Diz o Diretório Nacional de Catequese: "O texto sagrado nasceu em experiência comunitária: foi o processo que o próprio Deus escolheu para se comunicar. É função do texto bíblico alicerçar e vivificar a comunidade dos que crêem, fazendo crescer a unidade da Igreja, que não é uniformidade, mas deriva de um espírito básico de comunhão... A Bíblia nasceu na e para a comunidade de fé. Ela será vista em suas perspectivas mais importantes só quando relacionada com a comunidade" (DNC 177: 185).
Uma das características da Catequese renovada e ratificada no Diretório Nacional de Catequese é a "Interação
fé-vida”: O conteúdo da catequese compreende dois elementos que se interagem: a experiência da vida e a formulação da fé. A afirmação do princípio da interação é a recusa do nocionismo intelectualista e do dualismo na catequese. A interação entre fé e vida é a tarefa principal, a arte do catequista e seu constante desafio diante das situações concretas" (DNC 26). Esta interação não pode ser de palavra, igual óleo e no copo. Só se mistura quando é remexido. Deve ser a interação do óleo e da água na panela quentepara cozinhar o arroz. Uma vez misturados, não se separam mais. Toda a Palavra de Deus é esta grande interação entre fé e vida.

2° - POR SEU CONTEÚDO


A Bíblia nos traz valiosos testemunhos de mulheres e homens que testemunham o quanto tiveram consciência de que Deus é parceiro e está no centro da caminhada De tudo isto a Bíblia é fruto e história.
A Sagrada Escritura é, ao mesmo tempo, testemunho oficial e orientação autorizada do período fundador da nossa comunidade de fé. Por isso mesmo a Bíblia é livro catequético por excelência.
Na Bíblia, não existem textos sem valor, banais, mesmo que às vezes a gente tenha esta impressão. Eles têm seus valores, ainda que ocultos. Daí a necessidade de boa formação bíblica para percebermos qual catequese está por trás de tais textos. Para isto é importante dar bastante atenção ao texto. Evitar a ânsia de nos servirmos do mesmo texto para expor nossas idéias, não prestando atenção ao que ele tem anos dizer. E bom lembrar também que possíveis dificuldades que tivermos com alguns textos elas não podem nos desviar do verdadeiro referencial da Bíblia: o mistério da vida, da História, do Deus sempre imprevisível que não se deixa manipular.

3º - POR SUA PEDAGOGIA


A Revelação de Deus se realiza neste processo interativo entre Ele e seu povo... Pedagogicamente, Ele usa expressões profundamente humanas, parte da experiência do Povo, do que sabe a respeito de Deus, como aconteceu com Moisés, que já Conhecia o Deus de Abraão, Isac e Jacó e a quem é revelado. um dado fundamental a mais "Eu sou aquele que sou que é presença permanente no meio do povo"(DNC 239).
A pedagogia de Deus é a revelação progressiva através de palavras acontecimentos na caminhada do povo. Nada pronto de cima para baixo. Na medida em que o povo caminhava ia reavaliando suas reflexões e ações, numa linha progressiva.
A pedagogia bíblica é a reflexão na caminhada. Nada de receitas prontas. Na medida que a
comunidade caminha, reavalia reflexões e soluções do passado, às vezes corrigindo-as. É o caso, por exemplo, da responsabilidade pessoal.
A pedagogia bíblica nos ajuda a ver problemas e nos mostra que suas soluções estão na
comunidade de fé, onde aprendemos a traduzir em oração e em catequese tudo o que acontece: alegria, dores, esperanças. Neste sentido é importante o uso de uma linguagem simbólico-cultural, que situam catequista e catequizando em sua cultura.

II - CATEQUESE DOS LIVROS SAGRADOS


O desafio para nós é como usar os livros sagrados na catequese. Isto não se dá de uma vez. É através de nossa intimidade, da leitura obediente e orante da Palavra. Cada um dos livros da Bíblia é portador de valiosas contribuições. Vejamos, a título de exemplo alguns livros da Bíblia:
O livro do Êxodo mostra a espiritualidade da caminhada, deserto, abanca, experiência de Deus na fraqueza e na falta de tudo. Mostra a libertação e a esperança do povo.
O livro dos Salmos nos educa para a oração imersa na vida, oração feita de louvor, súplica,memória, agradecimento, queixas.
O livro do Eclesiastes. Neste ano vamos trabalhar no mês da Bíblia o livro do Eclesiastes. Este livro significa comunidade. Seu autor (a) tem um jeito de argumentar que provoca o leitor. Ele nos convida a pensar no sentido da vida, participar no processo da descoberta da verdade. O livro não impõe verdades, mas aponta caminhos, mostrando que um outro mundo só é possível com a participação de todos. O livro do Eclesiastes é uma grande catequese diante da vida.
Os livros do Profetas. Eles são os grandes catequistas de Israel, animadores da esperança. Eles são os catequistas incansáveis diante da infidelidade e fidelidade humanas. Não se casam de denunciar e anunciar, mostrar o sentido da história.
O uso dos livros da Bíblia na catequese deve levar em conta alguns critérios:
* Linguagem dos textos;
* Experiência de vida do catequizando;
* Maturidade de fé do catequizando;
* Prioridades: tudo na Bíblia pode ser valioso, mas nem tudo é igualmente importante aqui e agora.
O próprio processo de formação da Bíblia mostra que cada comunidade se fixava mais no que era prioritário. Existem sugestões de seleção de textos bíblicos a partir dos períodos sensíveis na idade evolutiva.
O que não pode faltar na formação bíblica do (a) catequista é o seu contato diário com a Bíblia. Diz o Frei Carlos Mesters que há um segredo para nós ficarmos por dentro da Bíblia: "Ler a Bíblia, ler a Bíblia, ler a Bíblia..."
Nesta leitura paciente da Bíblia, juntamente com os encontros de formação bíblica devemos ficar atentos:
1. O contexto do texto;
2. A ligação do texto com a comunidade-realidade;
3. Seus personagens;
4. Como o texto ilumina e questiona a nossa catequese;
5. O que o texto nos leva a falar com Deus.





EXERCÍCIO DE FORMAÇÃO BÍBL1CO-CATEOUÉTICA.

TEXTO ÊXODO 3.1-15

1° - PERFIL DO(A) CATEQUISTA (Ex 3,1-6)

v. 01 - Moisés trabalhando

catequista engajado na comunidade
v. 02 - Moisés atento aos sinais
Catequista atento à realidade.
v.3-4 Moisés responde a Deus
Catequista responde aos compromissos do Batismo
v. 5 - A experiência de Deus exige despojamento
Catequista deve tirar as sandálias – Kénosis – Esvazimento
v. 6 -Deus se revela na história
Catequista uma pessoa que vive o momento histórico

2° - ATITUDES DO (A) CATEQUISTA (Ex 3, 7-10)



v. 7 - Conhecer: ver com os olhos de Deus

Catequista escutar com o ouvido do coração
v. 8 - Descer: Deus assume a situação do povo
Realizar um projeto
Catequista ter sensibilidade
Interação do projeto catequético
Dificuldades (terra ocupada)
Catequista deve encarar as dificuldades
v. 11 - Moisés enviado de Deus
Catequista enviado de Deus

3° - ESPIRITUALIDADE DO CATEQUISTA (Ex 3,11-15)


v. 11 - Moisés acha que iria libertar o povo

Somos instrumentos de Deus
v. 12 - Garantia da presença de Deus
Deus está com o (a) catequista
v. 13 - Moisés quer certezas
Deixar de Deus entrar em nós
v. 14 - Deus não é manipulado
Se deixar tocar pelo mistério de Deus
v. 15 - Fidelidade de Deus
Fidelidade do catequista

26 dezembro 2009

POR CAUSA DE JESUS

1) Por causa de Jesus, nós nascemos na vida nova do batismo.

2) Por causa de Jesus, nós contribuímos com o dízimo.

3) Por causa de Jesus, nós rezamos a oração do Pai Nosso.

4) Por causa de Jesus, nós rezamos pelos inimigos.

5) Por causa de Jesus, nós perdoamos a quem nos ofendeu.

6) Por causa de Jesus, nós somos batizados na Santíssima Trindade.

7) Por causa de Jesus, nós partilhamos o pão e o peixe.

8) Por causa de Jesus, nós amamos idosos, crianças, pobres e enfermos.

9) Por causa de Jesus, nós somos discípulos missionários.

10) Por causa de Jesus, nós dizemos sim a sua palavra evangélica.

11) Por causa de Jesus, nós acreditamos na Ressurreição.

12) Por causa de Jesus, nós renunciamos a nós mesmos.

13) Por causa de Jesus, nós carregamos a nossa cruz.

14) Por causa de Jesus, nós promovemos a justiça e a paz.

15) Por causa de Jesus, nós somos perseguidos, injuriados e caluniados.

16) Por causa de Jesus, nós somos misericordiosos e temos compaixão.

17) Por causa de Jesus, nós somos consolados nas nossas aflições.

18) Por causa de Jesus, nós acreditamos na vida eterna e na Glória de Deus.

19) Por causa de Jesus, nós temos fé, esperança e amor.

20) Por causa de Jesus, nós defendemos a vida do início ao seu fim natural.

21) Por causa de Jesus, nós temos o Espírito Santo de Deus.

22) Por causa de Jesus, nós acreditamos em Deus, criador do universo.

23) Por causa de Jesus, nós rezamos o Santo Rosário.

24) Por causa de Jesus, nós acreditamos em Nossa Senhora, Mãe de Jesus.

25) Por causa de Jesus, nós pedimos ajuda à Maria Santíssima.

26) Por causa de Jesus, nós participamos da Igreja Católica.

27) Por causa de Jesus, nós ajudamos nas pastorais e movimentos da Igreja.

28) Por causa de Jesus, nós participamos da Santa Missa Dominical.

29) Por causa de Jesus, nós vivemos os dez mandamentos da lei de Deus.

30) Por causa de Jesus, nós vivenciamos os cinco mandamentos da Igreja.

31) Por causa de Jesus, nós acreditamos nos Sete Sacramentos.

32) Por causa de Jesus, nós somos sal da terra e luz do mundo.

33) Por causa de Jesus, nós somos capazes de dar a nossa vida pelo Reino de Deus.

01 agosto 2009

USO DA BÍBLIA NA CATEQUESE

Fico feliz ao ver o nosso povo demonstrar seu enorme apreço pelas Sagradas Escrituras. Isso fica evidente quando, durante as celebrações, os membros da comunidade se põem de pé, para ouvir as leituras evangélicas. Denotam-se extremos de atenção e de esforço, para não perder uma só palavra. “Não ardia o nosso coração quando Ele nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32). Fica evidente a grande fé que o povo católico deposita no Cristo, que se comunica com o seu povo. Outro momento precioso para assimilação do ensinamento divino, é nos Grupos de Reflexão, quando se reúnem nas casas. Temos perto de mil desses grupos, que se reúnem semanalmente, aqui na nossa arquidiocese de Uberaba. O respeito pelas sagradas letras é o ponto alto da reunião. Chega mesmo a ser uma catequese entre adultos, a partir da Palavra.

A estima e a atenção pelo Deus que se comunica, se manifesta também na caminhada catequética das novas gerações (crianças e jovens), que visam aproximar-se da Eucaristia e do sacramento da Crisma. Segundo o “Diretório Nacional de Catequese”, a Bíblia é o livro de catequese por excelência ( Nº 107). É ainda o mesmo Diretório que garante que a “catequese há de haurir sempre o seu conteúdo na fonte viva da Palavra de Deus, confiada à Igreja” (Nº 106). Assim a Esposa de Cristo “tira do seu tesouro coisas novas e velhas” (Mt 13, 52). Dentro da Tradição, a Bíblia ocupa um lugar especial: nela a Igreja reconhece o testemunho autêntico da Revelação divina.

Mas usando as Escrituras, a Catequese precisa evitar dois recifes, que podem fazer afundar todos os belos propósitos de aprendizado da fé. O primeiro é a possibilidade de reduzir o “depósito da fé”, a uma leitura apenas parcial das páginas bíblicas. Seria fazer memória de alguns trechos, e cair na amnésia de todos os demais. Infelizmente ainda não temos textos catequéticos resumidos de doutrina, após a publicação do “Catecismo da Igreja Católica”. Esses manuais ajudariam a chamar a atenção para uma vivência plena dos ensinamentos divinos. O outro grande perigo é querer fazer belas descobertas, dentro do horizonte acanhado do grupo, e só se interessar pelo “nós”. Neste caso esquece-se a Igreja, a quem Jesus confiou toda a Revelação, e cuja interpretação garante a reta compreensão. Portanto, não se pode esquecer o que a Igreja entendeu durante vinte séculos, e aquilo que ela, num amor de mãe, definiu para nos orientar

Fonte: Dom Aloísio Roque Oppermann scj

Arcebispo de Uberaba, MG